Logos Self-Service
You're short of money, short of time, but you've got to have a logo!
Os colegas nos fóruns de design gráfico frequentemente aparecem estarrecidos e ofendidos com o mais novo site que promete entregar o seu novo logo a um custo extremamente baixo e de um dia para o outro. Mas a moralmente discutível engenhosidade brasileira perdeu para os gringos desta vez. Confira só: 
O cliente faz tudo sozinho em seu próprio browser. Escolhe um símbolo numa biblioteca, seleciona a tipografia numa lista, acerta a cor, combina tudo e obtém um resultado pronto em questão de minutos, pagando US$ 69.
Você deve estar com vontade de perguntar: a que ponto chegamos? Mas a questão é mais complexa do que aparenta.
Quem já mexeu com branding na vida real sabe a verdadeira luta que é impedir o desastre na criação de logotipos. O cenário típico é do cliente sem nenhuma cultura visual, sem saber expressar o que quer, porém com muita vontade de mandar e de se sentir dono do conceito. E o trabalho sempre tem um prazo quase impossível.
(A falta de auto-respeito generalizada dos designers em deixarem a situação de trabalho ficar tão ruim é assunto para um post futuro. Além disso, não estamos aqui para dizer que o cliente é estúpido. As coisas simplesmente acontecem dessa maneira.)
A automação completa do processo criativo, deixando a responsabilidade sobre o logo totalmente na mão do cliente, é uma evolução lógica inevitável. Quer gostemos dela, quer não. Mais de um designer já deve ter desejado uma forma de atender o cliente que não exija a fricção animosa de um contato direto em circunstâncias de trabalho desfavoráveis à criação decente. Pois aí está: o cliente se vira e a gente fatura! E mesmo que o resultado fique um lixo, o cliente é efetivamente o "pai da criança" - o que, no contexto da cultura corporativa brasileira, aparentemente vale acima de tudo.
Num sistema automatizado, o designer ainda pode ter uma participação positiva através do direcionamento prévio das escolhas do cliente. A biblioteca de símbolos pode ser de bom gosto e as opções tipográficas não devem permitir escolhas absurdas. O problema é que a variedade de combinações que poderiam funcionar em cada caso é muito grande. Se com o designer dirigindo o processo já tem tanto trabalho para decidir, como será a tarefa para um leigo?
Ironicamente, no pé do site há um artigo falando do profissional de branding. Dá quase para pensar que o site inteiro é uma pegadinha... ou então, que foi feito justamente para ser usado para "profissionais de branding" em busca de uma idéia rápida para revender a uma empresa. Aí, sim, eu pergunto: a que ponto chegamos?

7 Comments:
Depois de vários desastres milionários que mal faz uma logo de fundo de quintal? Tá cheia por aí, via site ou não.
A coisa só vai mudar com educação, o que eu duvido muito num povo que é ensinado para ser gado (e não falo só de Brasil).
Aguardo o que vc vai escrever sobre designers choroes e os que se vendem em esquina. Ando doida para escrever sobre isso e chutar umas bundas.
Essa coisa de criação de logos pode ser complicada mesmo. Quando eu ainda era publicitária (a publicidade me expulsou no ano 2000, deve ser sido o bug do milênio) tive que fazer 100 variações sobre o tema logomarca para um cliente. Sim, você leu certo. 100. Cem. A escolhida? Tan-tan... outra agência, que mandou apenas um. Não sei se mato o cliente ou o diretor de planejamento.
Gostei do site
O normal é você apresentar ao cliente três variações do trabalho (cinco, se o seu chefe estiver inseguro), e o cliente responder assim: "Adorei! Está aprovado! Mas dá pra mudar uma coisinha? Eu quero o símbolo da proposta 3, com a parte de cima da 1, a tipografia pode ser da 2, mas tem que trocar o azul por amarelo e o vermelho por verde, e aumentar as letras, pode ser?"
Mas a culpa não é do cliente! A culpa são dos designers mesmo! Eles que é que se prostituem!
A culpa é do médico ou do paciente? Do pedreiro ou do dono da casa? Depende muito. Mas se a categoria não se valoriza, com certeza não é do cliente! Até por que se pensar assim... é melhor dar adeus à profissão!
E botar a culpa nos outros é fácil!
Quem trabalha com branding não deve se preocupar com esse tipo de coisa, talvez quem "faz" logos sim. Por definição, o conceito do branding se traduz na criação de marcas e não de logotipos, que é algo bem mais profundo e complexo. Prefiro mil vezes que esse tipo de cliente que se presta a este tipo de "serviço" não passe nem perto da porta...
abs!
O problema não é do cliente o problemas é dos designers que apresentam mais de uma logo para o cliente. Se o cliente não entende é claaaaaaro que se ele tem mais de uma opção ele vai querer montar um Frankstein misturando as 3,5 ou 5 logos que você apresentar.
Eu nunca tive esse problema pois apresento apenas uma logo e pronto. Simples assim.
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