Para você, que usa ferramentas de comunicação na internet, aí vai uma preocupante constatação: caso ainda não tenha cometido nenhuma gafe digital, mais cedo ou mais tarde ela acabará acontecendo.
Seja com um e-mail enviado para o destinatário errado, uma mensagem que nunca poderia ter seguido o rumo do “responder a todos”, um comentário no messenger feito justamente a quem não deveria ler, um post inadequado ou até mesmo uma foto descabida no Orkut, é muito provável que sua hora chegue.
Quando isso acontecer, esteja preparado para consertar a gafe ou, se isso não for possível, pelo menos amenizá-la (veja aqui as dicas).
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Antes de mais nada, é importante deixar claro que
cada uma das situações acima pode ter diferentes níveis de
gravidade. Enviar no messenger o texto “vamos almoçar?” para o
Marcelo errado é muito melhor do que fazer fofoca da Ana para a
própria Ana, e só perceber o engano tarde demais. Para evitar
problemas, é preciso que o usuário de tecnologia saia do modo
automático e fique sempre atento ao que publica, ao que escreve
e para quem escreve.
“É necessário estar sempre atento e usar o bom
senso para não fazer algo que possa trazer arrependimento. Antes
de mandar um e-mail, leia, releia e confirme o destinatário para
quem você vai enviar aquela mensagem. Esteja alerta também a
erros de português e, em caso de dúvidas, peça sempre uma
segunda opinião”, ensina Fernanda Figueiredo, coordenadora de
recursos humanos da Catho. Esse pedido de ajuda vale tanto na
hora de mandar uma mensagem quanto antes de publicar algo no
blog que possa ser mal-interpretado, por exemplo.
Maria Aparecida Araújo, consultora de
comportamento social e profissional, é dessa mesma opinião. Ela
defende que as pessoas adotem -- na vida on-line e também na
off-line -- uma postura preventiva, e não reativa, em relação a
possíveis problemas. Daí a importância de sair do modo
automático no uso das ferramentas de comunicação e adotar o
hábito da checagem, sempre. “Não é porque você está acostumado a
usar a tecnologia que deve se tornar displicente. A atenção
reduz muito as chances das gafes na internet.”
A pedido do G1, as duas especialistas deram dicas
do que fazer para consertar algumas situações constrangedoras
que acontecem na vida dos internautas. Confira.
Caso simples
Mande outra mensagem na seqüência para deixar
claro que você cometeu um erro. No caso do e-mail, peça para o
destinatário desconsiderar a mensagem. Faça o mesmo se a troca
tiver sido no comunicador instantâneo (um simples “mensagem
errada” resolve a questão).
Caso grave
Aqui, não basta assumir o erro. Se tiver enviado
por engano uma mensagem sigilosa, por exemplo, você terá de
pedir para o destinatário apagá-la (lembrando que ele pode ou
não colaborar). Se tiver criticado a própria pessoa que recebeu
o texto por engano, será necessário explicar a ela o por que
daquele comentário. E se criticou um terceiro, cabe pedir que o
destinatário ignore e mantenha sigilo sobre aquelas informações.
Na hora de pedir desculpas, o melhor é o telefone
ou uma conversa olho no olho. “Esse segundo contato, depois da
mensagem enviada por engano, pode amenizar a situação. Mas não
há como consertá-la completamente, porque você já causou uma má
impressão”, diz Maria Aparecida.
Caso simples
Você pode mandar uma mensagem dizendo que aquela
resposta era só para uma pessoa do grupo. Mas em alguns casos a
melhor saída pode ser simplesmente ignorar o erro, para não
incomodar todos com mais um e-mail desnecessário. Vai do bom
senso saber a melhor alternativa em cada situação.
Caso grave
Aqui também será necessário se explicar e contar
com a boa vontade do grupo. Se enviou informações às quais nem
todos poderiam ter acesso, escreva que o conteúdo foi mandado
equivocadamente e deve ser deletado, pois as informações são
sigilosas (em seguida, reze para que o escutem). Caso o texto
possa ser mal-interpretado ou contenha críticas a um dos
integrantes do grupo, você terá de se explicar.
Se o comentário desagradável que você fez teve um
“alvo” -- algo no estilo “por acaso fulana acha que trabalha
mais que todo mundo?”--, explique-se com essa pessoa primeiro.
Depois, pode ser educado enviar outra mensagem a todo o grupo
dizendo que já se desculpou com a pessoa.
“Situações constrangedoras como essa ficam
gravadas tanto na mente de quem sofreu a ação quanto de quem
presenciou”, explica Maria Aparecida. “E, quanto maior for a
ofensa, mais difícil é a reparação.”
Caso simples
Você publica no Orkut aquela foto do churrasco em
que você está muito bem, obrigado, mas que seu amigo aparece
caído no fundo, depois da bebedeira. Se perceber que a imagem
pode pegar mal para ele, delete-a. O mesmo vale para vídeos no
YouTube. No caso de textos on-line (scraps, posts, comentários
no blog), você pode apagar toda a informação ou reescrevê-la de
modo que não exponha ninguém.
Caso grave
Se a informação que você publicou realmente
prejudica ou expõe uma pessoa de maneira negativa, muitas vezes
deletar pode não ser o bastante. Em casos extremos, o ideal é
que você peça desculpas para a “vítima” e depois faça o mesmo
publicamente, usando sempre a mesma ferramenta de comunicação.
Se um testemunho no Orkut causou o problema, por
exemplo, um testemunho no Orkut também deve ser usado para
resolvê-lo. Se o que causou o constrangimento foi um post no
blog, tente consertar com um texto escrito nesta mesma página. E
por aí vai. “Presume-se que grande parte das pessoas que tiveram
acesso à informação inicial vai voltar àquele mesmo veículo e
ver a retratação”, explica a consultora Maria Aparecida.
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